já cá estou.

já cá estou.

inicialmente o título era 'vida nova'. mas rapidamente me apercebi de que não é verdade. não só não estou numa vida nova, como não quero cortar relações com a que tive até agora.

falemos dos últimos dias. 

tic. tic. tic. o relógio vai antecipando o momento da partida e o coração vai apertando cada vez mais. emoções à flor da pele: assim foram passadas as últimas 2 semanas.
jantar com estes, almoço com aqueles, chá com os outros, telefonar não-sei-a-quem, terminar aquilo, lavar roupa, organizar bagagem. não te esqueças do secador do cabelo, das pantufas, do cabo do computador. as luvas, que há-de estar um gelo. mais um jantar. mais um almoço. tic. tic. tic.
e na ante-véspera, uma festa surpresa, com-direito-a-venda-nos-olhos-e-tudo organizada por pessoas bonitas, que encheram uma sala de baile com dezenas (é verdade, eram imensos!) das pessoas que mais gostamos para nos desejarem uma boa vida, muita coragem e boa sorte. concerto ao vivo, técnico de som, amigos das danças, do trabalho, da infância, amigos de todo o lado, carradas de abraços apertados, beijinhos, sorrisos largos, calor, amor.
uma noite carregadinha de amor que nos confirma que semeámos as pessoas certas. que-tão-bom-que-foi. 
não, não quero cortar relações com a vida que tive até agora.

abraços, amor, muitas lágrimas. 
e lá estou eu no avião, especada a olhar para a senhora maquilhada mesmo ao meu lado que gesticula coisas que não consigo ouvir. [agora agarrou num colete salva-vidas.] todos a entendem, presumo. mas eu só ouço a voz dele. ele que me encheu de palavras corajosas mesmo antes de entrar para aqui. que me faz acreditar nesta equipa e neste futuro, que estar longe vai valer a pena, que havemos de ir e voltar quantas vezes nos apetecer. mais um par de lágrimas grossas pela cara abaixo.  

respiro fundo.
esta semana estou em casa de amigos.
novo dia, acordar cedo, o trabalho começa daqui a 2 horas. despacha-te!
escolher a roupa, sair de casa, primeiro choque: estão - 3 graus na rua. siga. o tram que não tem electricidade a estrada empanturrada de carros. ninguém passa. "logo no primeiro dia! mas como é que eu saio daqui e chego lá?!" entrar no autocarro, mudar de autocarro, seguir o percurso com o GPS do telefone e rezar para chegar a horas. 6 minutos de atraso. toco à campainha, entro, "welcome, this is blablabla, lélélé, mimimi" [é impossível decorar nomes estrangeiros ao primeiro embate, é um facto]. conhecer a equipa, o local - são quê, uns 4 metros quadrados? - e perceber que não verás a luz do dia no tempo todo que lá estiveres. estás numa cave. 15 minutos, 20 no máximo vá, para almoçar uma saladinha e regressar ao trabalho. 8 horas e meia sem parar. o que vale é que são só 3 dias por semana e amanhã estás de folga.
primeiro dia de trabalho já está. e uma dor de cabeça que chega a portugal.
skype com os pais. skype com ele. 

vem aí a primeira folga nesta cidade bonita que agora também é tua. 
uns amigos emprestaram-me uma bicicleta. estou à espera que ele chegue para tratarmos disso juntos: as nossas primeiras bicicletas. mas já tenho 2 campainhas bem sonoras compradas na hemma, essa grande invenção na holanda. 
esta semana tudo é novidade. aprender um trabalho novo e rever amigos antigos. dançar na quinta-feira e sair no fim de sexta-feira para um fim-de-semana no campo. domingo, casa nova. a nossa casa nos próximos 4 meses.
na segunda-feira começa a vida a sério: ele chega, finalmente. tic. tic. tic.