há quase 1 ano
2016/12/17

há quase 1 ano

fazem hoje 11 meses que  cheguei à cidade que mudaria a minha vida nas mais inesperadas formas. olho para trás e sei que sou, com certeza, uma pessoa diferente desde esse dia. não sei se melhor, se pior. mas se cada um destes 11 meses pudesse falar por mim, veriam como tenho razão. 
dizem que mudar de país depois dos 30 anos é mais difícil, mais exigente, mas eu não sei falar sobre isso porque nunca emigrei antes dos 30. sei lá se é pior. deve ser tramado ser-se estudante, enfrentar o mundo sozinho e termos de nos sujeitar a um qualquer trabalho para pagar a renda de um apartamento dividido com mais 7 pessoas que não se conhece de lado nenhum. 
eu tinha 31, vinha com o meu marido e já tínhamos uma casa só para nós à nossa espera.
foi difícil e eu nunca fiz segredo disso.
foi difícil sobretudo habituar-me à distância das minhas pessoas e aprender a construir uma nova relação com elas. foi muito duro imaginar-me num papel diferente na vida dessas pessoas, mas faz-se. e fez-se. e está tudo bem. aprende-se que ficam os que são mesmo importantes e, de certa forma, isso é até libertador.
mas a maior descoberta diria que é o aprender a ver tudo de uma nova perspectiva. 
e isto - ah, senhores - se é libertador! olhar para as coisas com distância permite-nos uma visão mais abrangente do que estamos a observar. e isto não é filosofia de bolso, é simples física.
passamos a relativizar as coisas porque sabemos que o que podemos fazer sobre isso tem limitações. constatamos outras tantas porque saímos da redoma do que é esperado de nós.
e melhor ainda, podemos contruir tudo de novo.
não há história. não temos cadastro. vale tudo.
podes ser quem quiseres, podes finalmente ser quem achas que és por inteiro. não tens de prestar declarações nem justificar as tuas escolhas. é a chamada página em branco.
foi difícil.
mas foi a melhor decisão que tomámos. 

é que... [e quem já nos visitou sabe que é verdade] está-se bem aqui, pá.