despedidas.
2016/01/04

despedidas.

não gosto de despedidas. 
prefiro que os dias aconteçam naturalmente. sem o peso do ponto final, do adeus redondo, pesado como facto inalterável. 
quero acreditar que viver na europa a 3 horas de avião de distância é quase o mesmo que viver no porto ou no algarve e que não estarei assim tão longe. afinal, viver do outro lado do oceano era muito pior. 

inevitavelmente, por muita ginástica mental que faça para me convencer disto, nos últimos dias as emoções têm andado à flor da pele e encontrar um amigo na rua, atender uma chamada, escrever um email, ir jantar a casa de alguém ou visitar a minha avó, têm sido tarefas árduas.
que me fazem pensar na parvoíce que é achar-se sempre que se há-de ter tempo para ver aquele, visitar o outro, passar mais tempo com fulano, telefonar mais vezes a sicrano, convidar, finalmente, não-sei-quem para jantar lá em casa. na parvoíce que é a vida a acontecer e de repente, porque te vais embora, te aperceberes de que não estiveste por perto. 
num plano racional, sabes que as distâncias não se medem em quilómetros e até acreditas nisso na maioria das vezes mas quando estás a 15 dias de te meteres num avião, tudo te parecem filosofias de algibeira. porque não é bem assim. tiveste a janela aberta todos estes anos e mesmo assim não viste de perto os filhos da R. e da I. crescer. não te lembras da última vez que jantaste sozinha com a D., que telefonaste à P. ou ao E. 
a partir de agora, sempre que regressares a lisboa sabes que terás os dias contados e serás como todos os teus amigos que já fizeram o mesmo que tu: uma agenda complicada e planeada ao pormenor para todas as horas em que estiveres de volta. 

mesmo assim, não quero despedidas. vou ali e já volto.
não deixo cá parte do meu coração, levo é parte de todos os que gosto comigo.