6 meses
2016/08/04

6 meses

6 redondos meses já se passaram desde que aterrámos em Amesterdão pela primeira vez. era Janeiro e o frio de congelar dentes recebia-nos de braços abertos, imóveis, serenos. 
por aqui agora diz-se que "é verão" mas suspeito que os holandeses pouco saibam sobre o assunto.
 
é difícil fazer um balanço destes meses, condensar em poucas linhas tudo quanto aprendi, descobri, senti. mas urge acalmar corações alheios e admitir que sim, o tempo é um fiel amigo e o coração adapta-se, aprende novas regras, sossega. 
e como esta é a minha casa, serei o mais honesta possível: 
os primeiros 3 meses foram dolorosos. senti - tremendamente - a falta das minhas pessoas. adormeci muitas vezes a chorar a pensar na distância que nos separava e se o senhor cá de casa me tivesse dito "vamos" nem as malas teria feito, era sair porta fora imediatamente sem olhar para trás. juro. só queria a minha cidade, as ruas que conheço de cor, o abraço dos meus amigos, a casa dos meus pais, a minha avó rabujenta, até as birras da filhota [update para quem não sabe: sou, como ela diz, boadrasta].
mas decidi dar tempo ao tempo, já me conheço e sei que resisto à mudança. 
no final desses 3 meses encontrámos uma casa-que-nem-de-encomenda-de-tão-perfeita-que-é na parte Este da cidade, um lugar onde estamos mesmo a gostar de morar, cheio de verde e pessoas simpáticas e isso mudou muita coisa. finalmente sabe bem regressar a casa ao final do dia. 
aos poucos vamos consolidando amizades e isso também é uma grande ajuda. há jantares, saídas, encontros. 
e, relativamente ao meu trabalho, continuo a saber que não é uma carreira-de-sonho, mas consegui mudar de atitude face ao que sentia e me desgastava tanto. trabalho ali, por enquanto, 3 dias por semana e isso é o que me permite dedicar-me ao que realmente me dá prazer no restante tempo [ou não estaria agora, às 11h da manhã, a escrever isto sentada na cama a olhar para as árvores lá fora]. 

estamos bem, nós. estamos bem, aqui.

a família visita-nos, os amigos também e trazem sempre um bocado de portugal com eles [literalmente: temos vinho, chouriço, queijo e bacalhau na dispensa].
os dias estão maiores [anoitece às 23h!] e mais bonitos e não há grandes dúvidas de que sou bastante afortunada por viver nesta cidade incrível, cheia de natureza e parques, casas baixinhas e calmaria. 
não nadamos em dinheiro nem virámos yuppies, mas finalmente tirámos a corda que tínhamos há tantos anos ao pescoço e podemos diminuir a distância de 3 horas que nos separa de lisboa.
hoje uma das minhas pessoas faz anos e eu não estou lá para a apertar num abraço, mas aprendi a viver com o skype e as redes sociais. sei que ser emigrante em 2016 não tem nada que ver com os anos 60. falo agora mais frequentemente com os meus pais do que antigamente, já fui 2 vezes a lisboa e só faltam 4 semanas para lá voltar. em novembro é um fim de semana e em dezembro espera-nos o natal.
fact is, a mudança traz com ela crescimento, amadurecimento e evolução. e estou bem melhor do que há 1 ano atrás.
tomámos a decisão certa.
está tudo bem.