6 anos.

6 anos.

e, assim de repente, fizeste 6 anos. 

custa acreditar que já foi há 6 anos que recebi um telefonema emocionado do meu irmão que mudava as nossas vidas para sempre.
naquele dia, contigo, nasceu também uma família nova: pai e mãe, avós, tios, todos novinhos em folha. 
lembro-me que estava a aspirar quando o telefone tocou e que deixei a limpeza toda por terminar e meia casa em pantanas por me ter atirado para a rua de tanta excitação. fugi veloz para a casa dos meus pais - os teus avós - e, juntos, celebrámos a tua chegada. para perceberes melhor, eu nem sentar-me conseguia, de tão feliz. só me apetecia pular. 
ao final da tarde, já reunidos em frente à maternidade, fomos trocando senhas de visita e à vez, fomos conhecer-te. 

já me tinham tentado explicar umas vezes o que se sentia quando se via os filhos pela primeira vez, acabados de nascer. da sensação avassaladora de amor a transbordar, da admiração perante tamanho milagre. o que nunca ninguém me tinha dito é que, o amor de tia, ia ser muito semelhante ao que me explicavam.
eras o bebé mais bonito que alguma vez tinha visto. hoje olho para as tuas fotografias daqueles dias e, honestamente, pareces-me igual aos outros bebés todos: cor de rosa e enrrugada. mas naquele dia, o meu mundo virou do avesso. como era possível sentir tanto amor por uma criança que não me tinha nascido do ventre e que mal conhecia ainda?
aos meus olhos, eras perfeita. 

e soube ali, e naquele preciso momento, que a vida era demasiado preciosa para ser desperdiçada naquilo que não nos faz felizes. mais ainda, que tinha o dever de, pelo meu exemplo, mostrar-te que devemos sempre lutar por nós, pelo que nos diz o nosso coração. 
sem saberes, sem mal teres aberto os olhos ainda, mudaste a minha vida.
saí do hospital com a promessa interior de que, a partir dali, haveria sempre de lutar por mim, pela minha felicidade, pelas minhas convicções, pelos meus sonhos. e que iria viver cada dia com a intensidade do último. 
um dia, quando fores mais crescida, hei de contar-te tudo sobre esta história. talvez te inpires em mim como eu me inspirei em ti. 

hoje fazes 6 anos. és uma miúda inteligente, alegre, perspicaz e enches-nos de orgulho pela irmã mais velha em que te tornas a cada dia. 
se gostava de viver mais perto de ti e do teu irmão? claro. mas sabes, os tios de agora são bem diferentes dos tios de antigamente e eu sei que, à medida que fores crescendo, vais saber que, mesmo aqui tão longe, estarei sempre por perto quando precisares. 

obrigada pelo tanto que me ensinaste até aqui.
para ti, uma vida brilhante, luminosa, cheia de aventuras, descobertas, gargalhadas. é tudo quanto te desejo.  
parabéns, minha querida C. 
este ano já vais para a escola e daqui a uns tempos já vais conseguir ler isto tudo. 

parabéns também ao meu irmão e à sua admirável companheira por estes 6 anos e obrigada a ambos, por me terem dado tamanhos presentes.