3 anos e uma vida inteira

3 anos e uma vida inteira

para mim, o casamento foi sempre uma desculpa para se gastar quantidades absurdas de dinheiro numa festa pirosa e obrigar os convidados a gastar outra quantidade absurda de dinheiro em taças de cristal ou máquinas de fazer panquecas.
mais que tudo, era uma convenção social sobre aquilo que deve ser uma família, imposta por uma religião à qual nunca pertenci.
o casamento não era para mim porque o amor não se mostra em papéis assinados, juras de amor públicas ou anéis no dedo.

só que, justamente quando estava concentrada em curtir a minha ‘recém-solteirice’ ao estilo carpe-diem, apareceste na minha vida. como tempestade sem aviso, BAM.
mudaste a minha concepção do que era o amor, inclusivamente do amor próprio.
depois de tantas músicas, tantos livros, tantas histórias, foi preciso entrares na minha vida para finalmente perceber o Petrarca, o Shakespeare, o Tólstoi, a Jane Austen, o Gabriel García Marquéz, o Eça de Queiroz. lembras-te de, naquela altura, eu te dizer que finalmente entendia o Camilo Castelo Branco?
anos a fio a ver BBC Vida Selvagem aos sábados de manhã para só entender como é que os insectos, os pássaros, os peixes, os mamíferos se escolhem entre si, contigo. um espécie de magnestismo que não controlas mas que te faz saber, bem fundo, que é esta a tua pessoa.
vivo desde essa altura completamente convencida de que nunca houve duas pessoas mais feitas à medida uma da outra como nós os dois.

insolitamente, depois de ter crescido a achar as palavras marido e mulher mais sinónimos de declaração de propriedade que de outra coisa, fui eu que te pedi em casamento.
percebi que queria usufruir de tudo a que tinha direito contigo, queria que fôssemos família em todos os sentidos da palavra e queria que, aos olhos de todos e da lei te tornasses o meu ‘guardião’ para sempre. percebi, acima de tudo, que o casamento é o que fazemos dele e que o nosso, nada tem que ver com convenções sociais.

faz hoje 3 anos que dissemos que ‘sim, aceito’ um ao outro em frente às nossas pessoas.
naquele dia não houve vestido branco, nem igrejas, nem quintas, nem saltos-altos, nem banquetes, nem bolo com duas figurinhas miniatura na cobertura. houve muitos amigos, muitos abraços, muito amor, muitas lágrimas, chinelos no pé, praia, sol e ondas do mar, música e baile-bom, tal e qual como gostamos.
e sim, houve anéis no dedo porque te quero trazer comigo para todo o lado.

somos uma equipa, tu e eu.
sabemos que, de mão dada, conseguimos tudo. já enfrentámos tempestades, já mudámos de país, já construímos tudo do zero outra vez.
rimos às gargalhadas, conversamos horas a fio, partilhamos, cuidamos, protegemos, educamos em conjunto, respeitamos a individualidade que cada um continua a manter e quase todos os dias descobrimos alguma coisa de novo um sobre o outro. sabemos que a capacidade de admiração e de espanto um pelo outro é ingrediente essencial na receita dos dias.
e, acima de tudo, continuamos a acreditar que o amor é coisa que se constrói todos os dias, como planta que se rega para não murchar.
deste-me uma vida nova, uma família nova, uma Sara nova.

que vida boa esta, meu amor.
parabéns.



[espero não ter ofendido todas as pessoas que escolhem celebrar o seu casamento de forma mais tradicional, com vestido branco e bolo de andares. este modelo não é para mim, unicamente.]